Meirelles pode ser vice na chapa de Geraldo Alckmin à Presidência – Notícias – Brasília – Nominuto.com

Meirelles pode ser vice na chapa de Geraldo Alckmin à Presidência – Notícias – Brasília – Nominuto.com

Está em gestação a jogada mais pragmática de toda essa campanha eleitoral tão desajeitada: uma chapa com Geraldo Alckmin na cabeça e Henrique Meirelles
na vice. Um pelo PSDB, outro pelo MDB, reativando a aliança entre os
dois partidos interrompida nos anos do PT e agregando à candidatura
Alckmin os êxitos econômicos do governo Temer, mas trazendo como contrapeso sua carga de denúncias e dívidas na Justiça.

As conversas avançam e podem ter evoluído na sexta-feira no encontro do presidente Michel Temer com o tucano Fernando Henrique Cardoso,
já que uma costura assim só tende a evoluir com o aval de FHC e o
patrocínio de Temer. Se FHC tem sido seguidamente azedo com o governo,
vai ter que adoçar o tom.

A operação exige acordos delicados, mas não chega a ser tão
complicada. Nem Meirelles é homem de partido, nem o seu partido, o PSD,
deu a mínima bola para as pretensões presidenciais dele. Logo, o
divórcio será amigável, com todos, ao final, participando da mesma
campanha: a de Alckmin.

Se Meirelles é um candidato em busca de uma sigla, o MDB é uma
sigla em busca de um candidato. Tenha os problemas que tiver, o MDB é
precioso para Alckmin, pelo tempo de TV, ramificação nacional, bancadas
no Congresso, governos estaduais e prefeituras. Bem… os emedebistas
ajudam a manter o Brasil como a terceira maior população carcerária do
planeta, mas que candidato despreza uma aliança assim mesmo?

De outro lado, o presidente do PSD, Gilberto Kassab, é um pragmático
flexível e não tem do que reclamar. Tinha horror de Alckmin, mas
encomendou a fantasia para ser vice de João Doria em São Paulo e, se
?ceder? Meirelles para a coligação do próprio Alckmin ao Planalto,
aumenta ainda mais suas fichas para 2019.

O sonho de Meirelles é ser político e a realidade é que ele
sempre recua. Saiu do BankBoston para disputar a Presidência da
República, mas se elegeu deputado pelo PSDB e virou mesmo foi presidente
do Banco Central do PT. Desde então, colhendo troféus e reconhecimento
no Executivo, nunca parou de sonhar com a adrenalina das campanhas.

Meirelles se lançou ao governo de Goiás em 2006 e 2010 e chegou a
namorar a ideia de ser vice de Aécio Neves em 2014, mas não teve
espaço. É natural que agora desça um degrau para trocar a própria
candidatura pela vice de Alckmin, aliás, num País em que ser vice é uma
aposta e tanto, que o digam Sarney, Itamar e o próprio Temer, em apenas
trinta anos. E Meirelles não seria um candidato a vice qualquer, muito
menos um vice qualquer.

A candidatura Alckmin tem sobrevivido de solavanco em solavanco,
mas vai se afirmando em cima de uma constatação límpida: não apareceu
ninguém melhor para unificar o tal ?centro?. Doria queimou a largada e
vai caminhando para seu Plano B, o governo de São Paulo. Luciano Huck
era para valer (apesar do sarcasmo dos mal informados), mas amarelou na
hora de acelerar. Rodrigo Maia mal engatou a primeira. E Álvaro Dias, um
ex-tucano, não sai do Sul.

O projeto Alckmin avança e tem uma peça chave: Michel Temer. O
presidente vive numa gangorra estonteante, ora lá em cima, com
intervenção no Rio, dados econômicos, leve recuperação de empregos; ora
lá em baixo, com decisões da PGR e do STF sobre o porto de Santos e as relações perigosas do MDB com a Odebrecht. Um fato, porém, é inquestionável: ele recuperou força política.

Temer tem o que mostrar, demonstrou capacidade de iniciativa e,
com certeza, será ?um player?. O beneficiário tem tudo para ser Alckmin,
mas o apoio tem preço: a defesa do seu ?legado?. É assim que, nem amado
nem odiado, como os bons candidatos, Alckmin vai pela estrada largando
concorrentes e colhendo aliados a partir de uma dura conclusão: ?Se não
tem tu, vai tu mesmo?.