Chuva na Região Nordeste permitirá produção de 4 milhões de toneladas de grãos – Notícias – Brasil – Nominuto.com

Chuva na Região Nordeste permitirá produção de 4 milhões de toneladas de grãos – Notícias – Brasil – Nominuto.com

A mancha vermelho-escura que tomava boa parte do mapa do Nordeste do
Monitor de Secas em janeiro de 2017 reduziu de forma significativa em
janeiro deste ano, resultado das primeiras chuvas da pré-estação e da
estação chuvosa nos estados da região.

A mudança do cenário
ocorre após, pelo menos, seis anos consecutivos de estiagem no Nordeste.
Paraíba e Pernambuco ainda estão com cerca da metade de seus
territórios em situação de seca excepcional. As partes leste da Bahia,
Alagoas e Sergipe já possuem áreas sem seca relativa.

O Piauí foi
um dos estados em que a mancha de seca excepcional mais reduziu, embora
permaneça com áreas com seca grave e extrema. Segundo a Secretaria de
Desenvolvimento Rural do estado, essa situação atingiu 80% do território
do estado, hoje está em 15%. O titular da secretaria de Desenvolvimento
Rural do estado, Francisco Limma, explica que essa redução vem das
primeiras chuvas no Centro Sul do Piauí, que começaram por volta de
outubro, e na parte central, onde chove a partir de dezembro.

Essas
precipitações, mesmo ocorrendo abaixo ou na média histórica, já
resultaram na recarga em importantes açudes, como o Bocaina e o Piaus,
localizados na região mais seca do estado, que estão com pouco mais de
17% de suas capacidades. No total, os reservatórios do Piauí já acumulam
54% do volume total.

O impacto dessas chuvas, segundo Limma, é a
perspectiva de novo recorde de safra, cuja região conhecida como
Matopiba (referência às divisas entre Maranhão, Tocantins, Piauí e
Bahia, considerada a nova fronteira agrícola do Brasil) tem importante
impacto. A previsão para 2018 é atingir 4 milhões de toneladas de grãos.
Em 2016, um dos anos de seca, a colheita ficou em apenas 1,5 milhão de
toneladas.

?Com o restabelecimento da normalidade da chuva e a
redução da mancha da seca, estamos animados e certamente teremos um novo
recorde na produção agropecuária. Somos o terceiro maior produtor de
grãos do Nordeste e o estado em que o PIB mais cresceu. Com a
regularização das chuvas, teremos um incremento na safra,? disse.

Para
o supervisor da unidade de Tempo e Clima da Fundação Cearense de
Meteorologia (Funceme), Raul Fritz, a diferença entre os mapas do
Monitor de Secas é decorrente de chuvas em torno das médias históricas
em 2017 em alguns estados do Nordeste, a exemplo do Ceará.

Em
2018, mesmo não apresentando precipitações significativas, o mês de
janeiro trouxe certo alívio para a condição de seca extrema e
excepcional sobretudo no norte e na parte leste do Nordeste, mas esse
cenário permanece na parte central da região.

Segundo Fritz, a
mudança mais perceptível na condição de seca na região será notada no
mapa de fevereiro, que deverá refletir a boa posição da Zona de
Convergência Intertropical (ZCIT), o principal sistema meteorológico dos
regimes de chuvas do Nordeste.

?Esperamos uma recuperação mesmo
agora em 2018. A Zona de Convergência Intertropical mostra condição
favorável para isso. Se não houver uma reversão, é possível que tenhamos
uma inversão dessa situação tão feia e grave,? explicou.

Fritz
ressalta que a diminuição da área de seca excepcional ainda não alivia a
crise hídrica na região. Segundo ele, a recarga dos reservatórios
estaria condicionada a chuvas acima da média histórica durante todo o
período chuvoso de 2018. Embora fevereiro tenha sido assim, ainda não é
possível prever que essa tendência pode repetir ao longo do restante do
período chuvoso.