Beija-Flor conquista seu 14º título com críticas às mazelas sociais – Notícias – Carnaval – Nominuto.com

Beija-Flor conquista seu 14º título com críticas às mazelas sociais – Notícias – Carnaval – Nominuto.com

Tânia Rêgo/Agência Brasil

Com o enredo ‘Monstro é aquele que não sabe amar. Os filhos abandonados da pátria que os pariu’, Beija-Flor conquista seu 14º título.

SELO CARNAVAL 2018A escola de samba Beija-Flor de Nilópolis é a grande
campeã do Grupo Especial do carnaval 2018 do Rio, com um enredo sobre as
mazelas do Brasil, com destaque para a corrupção. Com 269,6 pontos na
apuração, a Beija-Flor ficou apenas um décimo à frente da Paraíso do
Tuiuti, escola que desfilou com um enredo também de conotação política,
com críticas à reforma trabalhista e ao presidente Michel Temer,
retratado como vampiro.




O cantor Neguinho da Beija-Flor, principal intérprete da escola de
Nilópolis, na região metropolitana do Rio, disse que a crítica social
foi o destaque da escola que encerrou os desfiles da segunda-feira de
carnaval. “A crítica do que acontece no nosso País, a desigualdade (foi o
melhor da escola). Muitos sem nenhum e poucos com muitos”, disse
Neguinho, ainda na Praça da Apoteose, onde as notas dos jurados são
lidas na cerimônia de apuração.



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O tom de protesto tomou conta da cerimônia de apuração. Enquanto as
notas das escolas de samba eram lidas pelo locutor da Liga Independente
das Escolas de Samba (Liesa), com transmissão ao vivo na tevê, foram
entoados, algumas vezes, gritos pedindo “Fora Temer”.




Completando 70 anos neste 2018, a Beija-Flor, que a cada ano se supera
nos quesitos luxo e imponência, fez um desfile atípico. Crítica das
mazelas brasileiras, a apresentação em alguns momentos remeteu o público
que acompanha carnaval ao histórico “Ratos e urubus, larguem minha
fantasia” (1989), do carnavalesco Joãosinho Trinta (1933-2011) – que
tratava de luxo, lixo, pobreza e festa e até hoje é um dos mais
lembrados da história do sambódromo.



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A escola fez um paralelo entre o Frankenstein, de Mary Shelley,
personagem que está completando 200 anos, e os “monstros nacionais”: a
corrupção, as agressões à natureza, o uso indevido de impostos, as
disparidades sociais. Foram retratados favelas com traficantes
“armados”, brigas de casal e até uma mãe velando um filho policial
morto. A chamada “farra dos guardanapos”, episódio do esquema de
corrupção do ex-governador do Rio Sérgio Cabral (MDB), foi encenada.




Componentes vestidos de pastores evangélicos, católicos e muçulmanos se
juntaram contra a intolerância religiosa. Pablo Vittar foi destaque no
carro anti-LGBTfobia. No geral, a plateia comprou o discurso de
indignação da escola de Nilópolis, na Baixada Fluminense, que encerrou
sua passagem com a simulação de uma passeata popular, seguida pelo
público saído de frisas e camarotes.



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O coreógrafo da comissão de frente da Beija-Flor, Marcelo Misailidis,
disse que a vitória da escola foi “a vitória da arte”. “De certa forma, é
uma vitória da arte e de uma coisa importante, que luxo não é botar
pluma, é dar voz ao povo, à cultura. Resgatar a dignidade desse País”,
disse.




Já a Paraíso do Tuiuti, alçada ao grupo de elite das escolas de samba do
Rio em 2017, após vencer a segunda divisão em 2016, discorreu, no
primeiro dia de desfiles, sobre a escravidão no Brasil e defendeu a
ideia de que ela ainda não acabou, apenas mudou de forma.



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O carnavalesco Jack Vasconcelos partiu dos navios negreiros do século
XVI e chegou ao “cativeiro social” dos dias de hoje, marcado por
desigualdades sociais e precarização do trabalho. As últimas alas e o
último carro alegórico, bastante aplaudidos, faziam críticas à reforma
trabalhista e traziam a imagem do presidente Temer como vampiro.